terça-feira, 14 de julho de 2009

O "Diz-que-disse"

Meu filho, já te falei sobre o “Diz-que-disse” ? Um fenómeno extraordinário do país dos adultos que se dedica à comunicação? Pois bem, vamos ver se te consigo explicar.

Já sabes da última? ...

Eu sei, porque ela me disse que, no Edíficio do Porto, lhe contaram, que alguém, do 2º da ala Sul de Lisboa, se teria apercebido que eles, do Embasamento 2, teriam dito que ouviram, por alguém do 5º da ala Norte, que ele teria sido visto a falar com …

Ok, já ficas a saber.

Quem diz que os locutores do “Diz-que-disse” são meros amadores, anda completamente enganado. São eles, muy interessadas Senhoras e atentos Senhores que desenvolvem inatas e preciosas capacidades de comunicação, às quais, após cursos de formação, simulações e trabalhos de campo, acrescentam técnicas profissionais.

Do perfil destes Mestres (mas também os há Bacharéis e Doutores), fazem parte capacidades extraordinárias como: visão dotada de infra-vermelhos; audição semelhante à das baleias (mas das brancas); bagagem gramatical invejável (incluindo arcaísmos, estrangeirismos e todas as figuras de estilo), pois não gostam de plagiar ninguém e, finalmente, raríssimas substâncias naturais que fertilizam (sem avolumar) a mente. Muito utilizados também, são os sinais de fumo, linguagem que normalmente “melhora o tempo no canal”.

A técnica é sempre adequada à área de trabalho. Esta é uma actividade sem fins governamentais, logo, não financiada, portanto, é necessário conjugá-la com outra, que sustente estes Artistas, tantas vezes não compreendidos, mesmo que esta (emprego oficial) não se encaixe tão bem nos seus perfis.

No nosso meio (o meio por excelência da comunicação), as técnicas utilizadas são das mais requisitadas no mercado:

· Primeiro, identifica-se um assunto. Subtilmente aproximam-se do alvo (ou de alguém próximo, mas que detenha os dados necessários) e questionam para depois reformularem, mas já com alguns tendencionalismos;
· Mas, para uma boa condução do relato, são bastante cordiais, cordialidade que é directamente proporcional à sua antiguidade na actividade, pois a cordialidade é um meio eficaz que poucos sabem correctamente utilizar, e muitos confundem com a simples “saudação e o fecho”;
· Pecam pelos vazios, mas o que é justificado pela grande disponibilidade e necessidade de concentração no discurso e automática tradução para os assíduos ouvintes;
· São muito produtivos pois acabam por controlar muito bem a emissão, no entanto, raramente tipificam.

A avaliação dos locutores é habitualmente positiva, pois quando a emissão do “Diz-que-disse” não corre tão bem, por serem parcos os programas, a culpa poderá sempre ser da Alcatifa (que afinal, também se gasta).

Afinal, esta é uma boa estação. Com um segmento de profissionais altamente cobiçados, com programas informativos/técnicos, lúdicos/lazer e, até de astrologia e adivinhação do futuro!

Vamos continuar sintonizados neste canal, mas apenas o elementar “Quanto Baste”.….

Chiiiiu….isto que partilhei contigo não é para contares a ninguém… Espero ter-te dado uma novidade mas se não o foi, dá-me o benefício da tolerância por não praticar com a regularidade necessária o “Diz-que-disse”. Reforço, o que disse não é para dizeres a ninguém pois, sempre orientados para a informação, atentos e antecipados, “Eles” andam aí…

Percebeste querido ? Isto é o "Diz-que-disse"!...