quarta-feira, 15 de maio de 2013

Todos os Dias.


Todos os meus dias são Dia da Família.

Embora tenha tido uma manhã francamente divertida e repleta de actividades, não faz parte de mim comemorar este dia com grande exuberância, pois é efectivamente um dia, da família, como todos os meus restantes, o são. Se parece que estou a minimizar a importância do protagonista do dia, é precisamente o contrário. Há cerca de dois anos, tomei a decisão de fazer de todos os meus dias, o Dia da Família.

Sempre fui muito regida por objectivos, vício de profissão ou mesmo mal genético. Tinha um emprego que me realizava, que considerando o panorama do país, era bastante gratificante. Tinha desafios constantes. Adrenalina. Ego rico. Mas, desde que fui Mãe - e, depois também, por condicionalismos da profissão do meu marido - sentia, todas as noites, quando me deitava, que um objectivo ficava por cumprir integralmente. A assistência ao meu núcleo familiar.

Mais de 12 horas no colégio. Estados febris no colégio. Resumir o dia com os meus filhos a um banho, jantar e meter na cama, tornou-se para mim, dia após dia, corrosivo. Letal. Por outro lado, faltas múltiplas por assistência à família (devido à tenra idade das crianças e falta de apoios que me pudessem substituir nestas ocasiões), frustravam-me profissionalmente. Sentia-me a falhar. E eu não estava habituada. Resumidamente, quando estava com eles, sentia que a profissional estava em falta. Quando estava em reunião, sentia o coração entupir-me a garganta, também a falhar.

Quase todas as mães trabalhadoras se encontram nesta posição mas, cada uma de nós, lidará com ela à sua maneira e encontrará o seu ponto de equilíbrio. Eu encontrei o meu. A minha família. Todos os dias.

Não foi, não é, nem nunca será fácil.
Além de Mãe, também sou Mulher e essa Mulher tem interesses para além da maternidade.
Tive que reaprender a minha vida.
Abdiquei de muito mais do que possam pensar.
Mas ganhei o que, para mim, é o mais importante.  Paz. Agora, todas as noites ao deitar, adormeço com a sensação de dever cumprido. Todos os dias, todas as horas, todos os momentos em que eles possam precisar de mim, eu estarei lá. E esta paz, vale muito mais do que tudo o que perdi, ou deixei de ganhar. Esta foi a minha decisão, fazer de todos os meus dias, Dia da Família.

Desejo-vos um dia - aliás agora noite - feliz!
Inês.


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