terça-feira, 30 de junho de 2009

A Senhora Dona Birra



Ontem à saída do Colégio e durante o caminho de regresso a casa tivemos uma convidada especial, a Senhora Dona Birra.

Esta Senhora deve pouco às regras de etiqueta e bons costumes pois chega sem avisar, abusa da paciência dos anfitriões e vai-se embora somente quando lhe apetece.

Durante o percurso até casa, tentei ignorá-la (já assim dizem os livros) e, entre conversas e cantigas com o Miguel Maria, lá tentámos fazê-la perder o interesse na nossa companhia, mas a Senhora é persistente… Entre chuchas atiradas ao vidro, bolachas desfeitas no banco e manifestações estridentes da presença da Dita cuja, lá chegámos.

À porta de casa deu-se o ponto alto do espectáculo, sim, pois assim a Senhora Dona Birra já tinha uma maior audiência e contava com os vizinhos que descansavam à janela e ainda mais com aqueles que pacatamente passeavam os cães. 3, 2, 1, Show: Mamã com computador às costas, mala à tiracolo, saco do colégio num braço, Miguel Maria no outro e a Senhora Dona Birra a espernear e refilar freneticamente ao colo… Foram longos e dolorosos metros!

E tudo isto por nada! E tudo isto só porque sim!

Como Mãe tem paciência de jó, mas o cansaço de final de dia também dá dó, a Mamã lá decidiu arrebatar o lugar de protagonista e ficar com o papel principal:

Senhora Dona Birra já para o banho!
Lava e esfrega, esfrega e lava.
Limpa e seca, seca e limpa.
E do vestir passa para o comer.
Come a sopa, come o frango,
Come o frango, come a fruta.
E como quem não trabuca, não manduca,
Vamos Senhora Dona Birra,
Um beijinho à mãe e acabou-se a fruta!

Pé ante pé,
Sorrateira e matreira
A Senhora Dona Birra foi-se
Consciente desta asneira…

E agora meu Amor? Vamos brincar, dar beijinhos e aproveitar o nosso bocadinho do dia?
E a si Senhora Dona Birra, digo isto, vamos lá fazer um acordo de Cavalheiras: passa a avisar antes de chegar e vai-se embora quando eu mandar, combinado?

sábado, 27 de junho de 2009

E a Nota é...



Ontem (26Jun) foi dia de comemorações.
O Miguel Maria completou os seus 20 Meses (com uma energia, audácia e personalidade de 20 Anos!) e recebeu a primeira avaliação formal da sua vida.

ALIMENTAÇÃO
O Miguel Maria não tem qualquer dificuldade a nível da alimentação. Gosta de comer e até já experimenta comer sozinho, no entanto, ainda se atrapalha um pouco. Gosta de ser o primeiro a comer, caso isto não aconteça, por vezes grita.
– E esta hein ? Não tem qualquer dificuldade para comer e grita para ser o primeiro… Em casa ainda só conheço a versão do grita mas para ser o primeiro a não comer…

SONO
Dorme muito bem e precisa de o fazer para se sentir bem disposto ao longo do dia. Identifica a sua cama e quando acorda gosta de falar com o amigo do lado.
– Ai sai tanto à Mãezinha!!!! Z z z z z z z z z z z z z z

LINGUAGEM
Fala muito ao longo do dia e muitas das palavras são perceptíveis, no entanto, ainda não consegue construir frases com 2 palavras, dizendo apenas palavras soltas.
– Isso é que consegue Senhora Educadora : shapá nhuã badá ópu ãmená!

SOCIALIZAÇÃO
É sociável com os amigos da sala. Gosta de brincar e divertir-se.
– Este “Gosta de divertir-se” aos 20 Meses faz-me tentar adivinhar o que virá na sua avaliação do 12º ano…

MOTRICIDADE
O Miguel Maria está muito bem a nível da Motricidade. Na Motricidade fina, adora pintar, desenhar e sabe, de vez em quando, pegar no lápis de forma correcta. Na Motricidade grossa, anda, salta com os 2 pés, corre e adora fazer ginástica.
– Não poderia concordar mais! Demonstrou a sua Motricidade fina quando inseriu uma moeda de 5 cêntimos na ranhura da fechadura e com isto obrigou o Papá a ter paciência da grossa durante quase 2 horas para a retirar; Quis testar a Motricidade grossa tentando descer a escada íngreme que nos leva à garagem montado no seu triciclo. Aqui foram os nervos da Mamã que, de tão finos que ficaram, quase rebentaram!

COGNIÇÃO
Tem uma boa capacidade de compreensão e a nível da concentração aguenta cerca de 10 minutos sem distracções, o que é muito bom para a idade.
– Eu penso que quando ele está concentrado a refilar connosco para conseguir alguma coisa, ultrapassa bem os 10 minutos….

Posto isto, acho que se pode dizer que o Príncipe MM passou com distinção nestas suas primeiras conquistas, a do conhecimento e a da destreza. Parabéns querido.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Não vale picar filhos!


Devia tornar-se regra. Nada de picadinhas, picas, picadas ou outros efeitos similarmente picantes provenientes de seringas nos nossos filhotes!

No espaço de uma semana o MM levou duas vacinas e fez análises ao sangue. Haja resistência suficiente do pequenino para ver tanta bata branca armadilhada com as mais pontiagudas ferramentas e, verdade seja dita, coragem de mãe para assistir a tal maldade, necessária (bem sei!).

A tortura começa logo na sala de espera, a ansiedade não mata mas mói. O ter que explicar a um filho que um mal é necessário, não é nada fácil. “Querido a seguir irás levar um pica, não vais compreender porquê mas é para teu bem…”, Pois, pois…

De seguida, a entrada na sala de tortura. O meu primeiro instinto é avaliar de alto a baixo o perfil de quem vai “mexer” no meu rebento:

- “Ok é mulher, melhor, mais sensível… Se tiver filhos irá colocar-se na minha posição e fazer os possíveis para não magoar o meu bebé. Ufa!
Espera, mas e se não? E se até nem gosta de crianças e está aqui com um processo disciplinar pois quer é ir para a microcirurgia?!?! Mau…”;
- Pede a proveta de 10 ml ao colega. 10 ml ?! Penso eu - “Mas é preciso tirarem tanto sangue ao meu filho? Sanguinários… Estarei atenta, nem 1 ml a mais!”
- “Acerte à primeira, por favor. Se achar que não consegue ou falhar a primeira tentativa, voltamos num outro dia ou faremos num outro sítio!” – Ultimato de mãe.

Começa. Eu seguro o bebé e acarinho-o muito tentando distraí-lo da realidade circundante, mas o maroto insiste em manter-se atento a todos os pormenores do processo. Se alguém fotografar aquele momento verá que a mãe durante alguns segundos fica sem pinga de sangue no rosto, porém a afirmar que está tudo bem (não se vão lembrar de lhe pedir para sair, isso é que não!).

1 segundo, 2 segundos, 3 segundos… Tanto tempo… “Já não chega ?!” – Penso…

"Parabéns Mãe, o seu bebé é um herói! Raros são os que se comportam tão bem. Assustado, muito aninhado na mãe mas sem soltar um ai! Parabéns!"

“Já está? Tem a certeza?” – pergunto.
“Sim mãe, já podem ir.”

Agarro no meu menino e num ápice já não nos avistam!
Entramos no carro, senta na cadeirinha, mete o cinto; senta a mãe, mete o cinto. Olho pelo retrovisor para o meu menino e ele sorri tranquilamente como quem diz “Já passou mamã…”. Aí eu penso, mas afinal, quem foi apoiar quem? :-)

És um herói Miguel Maria (não somente por esta mas outras ocasiões da mesma natureza) e com esses poucos centímetros de vida me enches diariamente de orgulho.

Ainda assim, Senhores Doutores, vale trocarmos as seringas por pomadinhas? Sim?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Um apetite de passarinho!

Miguel Maria, papa a sopinha de agrião,
Mamã, isso é que não!
Bebé, papa a batatinha com linguado,
Mamã, mas esse deixa-me enjoado…
Filho, papa o arroz com carninha,
Óh Mamã, assim dói a barriguinha…
Querido, então e o grelhadinho de entrecosto?
Mamã, depois fico indisposto…
Meu amor, prova as uvinhas com alperce.
Mamã, mas não me apetece…

Filho, vem então para o colinho da Mamã,
Dou-te beijinhos e bebes o teu biberão de leitinho.
“Mnhã, mnhã, mnhã”
“Era só isso que eu queria para ficar satisfeitinho!”


Meu Amor, a Mamã entende que tenhas um estômago pequenino e que este calor não ajuda nada a abrir o apetite, mas querido, vá lá… Come só mais um bocadinho ou eu fico com o coração apertadinho…

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O Miguel e o Papel

Estávamos ontem no terraço, com um céu lindo e um Sol a brilhar, e o Miguel Maria quis desenhar :

Para fazer um desenho em papel
A Mãe deu uma folha ao Miguel
Um risco, dois riscos, três riscos
E o petiz já controla os rabiscos!

Mas de repente vem o vento
E sopra suavemente o papel
Que começa a esvoaçar com alento
E, sem querer, assusta o Miguel

E a folha vira e revira
Mas ele, ora a tenta apanhar
Ora se prefere afastar
E a folha insiste na volta do vira

Para a mãe olha desconfiado
“Mas é um bicho este papel?”
Com tanta volta fica arreliado
Calma Miguel, é só um papel

O ventou acalmou
E a dança do vira levou
O papel no chão repousou
E o pequeno tanto gostou!

Logo pensa o Miguel
Afinal não é um bicho,
E já não foge do bebé

Querido, volta a fazer o rabisco
Pois papel, é só papel
E não morde o Miguel!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Vocabulário “Éme Émês” (19 Meses)


Mámã = Mamã;
Má-má-má-má-Mãaaaaaaaaaaa = Mamã chega aqui depressa! Já estou farto de te chamar!;
Papá = Papá
Papáááááááá = Papá sai do escritório e larga o computador!;
Máta = A minha Educadora Marta
Nan = Não quero, não vou, não, já disse que não (palavra melhor posicionada no ranking das mais utilizadas);
___ = Sim (ainda não existe com pena dos pais);
Xxxxe – xxxxxe = Dá-me a chuchinha… (palavra em 2º lugar do Ranking);
Àpé = Pezinho lindo
Àmão = Mãozinha linda
Ácão = Olha um cão / gato / cavalo / … !
Ácão miau = Este ácão faz miau (leia-se: um gato)
Pa piu = Passarinho / pinto / galinha
Xi-xi = Xi-xi, có-có, pilinha ou fralda (afinal ficam todos nas mesmas redondezas!)
Popó = Olha um carro mamã! Já foi, ultrapassou-te…
Mota = A mota do Papá
Mota, mota, mota (com euforia!) = Estou a subir para a mota do Papá e ninguém me vê!!
Bóa = Bola, bola! Vamos jogar!
Já tá = Já chega mamã, deixa-me ficar no percentil 25, não me enchas com comidas hipercalóricas;
Chái = Sai daqui!
Natai = Árvore de Natal!
Póta = Abre a porta, quero ir para o terraço, vá –lá….
Chãn = Larguem-me, já não quero colinho, quero ir para o chão;
Táquiiii = Expressão de surpresa quando encontra algo muito desejado;
Mim-mi = Bimby, o computador que a mamã utiliza na cozinha;
= Avô Cantigas (mas os restantes avós acreditam sempre que é com eles…)
Ábua = Tenho sede ou Quero ir para a piscina!
Bébé = Gosto tanto destes meninos mais pequeninos que eu;
Tô… Tô = Estou ? Quem fala ? (ao telemóvel)
Xau = Adeus, até à próxima!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

As Mães têm Super Poderes!

Não temos capas voadoras, nem varinhas mágicas. Não temos espadas, nem bolas de cristal. Mas temos o poder de nos reinventarmos todos os dias e superar desafios verdadeiramente hercúleos. Posto isto, os heróis gregos já deixaram de ser o que eram quando comparados com as Mães, ora vejamos:

- Resistem meses, até anos, sem dormir uma noite completa e ainda assim mantêm a boa educação;
- Conseguem dizer o nome e as ruas das Farmácias de serviço do início ao fim – e repetir a lista de trás para a frente várias vezes ao longo do dia;
- Arranjam ainda mais espaço nas já sobreutilizadas pochetes e, entre batons, corrector anti-olheiras, espelho, carteira, chaves do carro, chaves de casa, chaves do cacifo do escritório, cartões de fidelização, cupões de desconto, entre tudo isto ainda conseguem arranjar espaço para mais um par de chuchas;
- Giras! Mantêm-se giras mesmo sem tempo para ginásios ou cremes anti-celulíticos – é um facto que praticam o desporto da “Elevação” : descem com a criança no braço esquerdo, tocam no chão, apanham o brinquedo com o braço direito e voltam a subir – têm resistência suficiente para umas cem repetições;
- Exaltam todas as suas potencialidades tântricas no “Momento do Shopping” – momento sobejamente conhecido por todas durante o qual a criança se atira para o chão a espernear e gritar desalmadamente (porque quer… enfim, porque quer alguma coisa, seja o que for!) e a Mãe, ao olhar de todos os que a rodeiam e que pensam “Se fosse meu filho…”, consegue transmitir que está indecisa sobre a marca das Natas que vai levar para o bacalhau não deixando transparecer o desatino e a fúria que lhe vão na alma;
- Conseguem sempre ficar com o último computador do Noddy que havia em promoção, ainda que para isso tenham dito a todas as colegas que já tinham ido à loja e estavam todos esgotados;
- Praticam contorcionismo a qualquer hora da madrugada e às escuras : entram no quarto da criança, apanham a chucha que sabem estar caída no canto superior esquerdo do quarto, dão o biberão com um braço e seguram o nebulizador com o outro, com algum esforço com a boca retiram um dodot da embalagem e com a perna empurram uma bola que por ali anda. Tudo isto sem se ouvir um ruído ou vislumbrar alguma luminosidade. Ah, é claro, fazem tudo isto sem respirar!
- Matam com um sorriso nos lábios! Sogras e Mães das Mães não corram o risco de dizer : “Ai o menino/a está tão magrinho/a… O que é que lhe andas a dar ?” ou “No meu tempo não era nada assim, por isso é que as crianças hoje não têm educação” ou pior ainda “Vem cá querido/a, faz lá queixinhas da Mamã…” é neste momento que a Mãe começa a desenhar um perigoso sorriso nos lábios….;

Vou terminar com um ponto e uma vírgula uma vez que esta lista está ainda longe do fim. Mães com super poderes não referenciados, liguem nas próximas 24h a garanto-vos inscrição gratuita na nossa Ordem.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Reencontro diário

Ontem, como é habitual, fui buscar-te ao Colégio e, como estava muito bom tempo, encontrei-te e aos teus coleguinhas no jardim. Vi-te mal entrei e reparei que estavas muito sossegado a olhar atentamente para as educadoras que falavam entre elas. Chamei-te! Logo que me viste uma euforia se apoderou de ti! “Óh, óh!!! Mámã, Mámã (Mámã na língua MM= Mamã)!!!” dizias bem alto enquanto apontavas para mim! A partir desse momento assisti a uma exibição encantadora: corrias excitadíssimo para todos os brinquedos, caías e rias para mim, davas a volta ao jardim a correr de braços abertos e atiravas-te para a relva e sempre a avaliar a minha reacção às tuas provas de destreza. Finalmente, depois de tantas acrobacias, correste para mim de braços abertos e demos um abracinho muito grande.

Obrigada meu amor por valorizares cada reencontro diário nosso. Eu saio do trabalho sempre a correr para ir ao teu encontro, quase rasgo a estrada como quem voa pelos céus, não quero saber de paragens ou interrupções, só quero chegar a ti o mais depressa possível e, ao encontrar-te, poder receber demonstrações destas é a melhor recompensa que se pode ter.

Brinca muito meu filho e aproveita bem todos os dias que eu tentarei sempre chegar cedinho ao nosso reencontro.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Nasceste!

Às 15h14, do dia 26 de Outubro de 2007, nasceste Miguel Maria!

Desde miúda que era frequente ouvirem-me dizer “Eu nunca vou ter filhos!!! Tenho pavor! Nem pensar.” E, vê bem meu filho, hoje todos que me rodeiam se cansam de me ouvir dizer que foste/és a melhor coisa que me aconteceu!

Tive uma gravidez tranquila e feliz mas sempre assaltada pelo pânico do parto. O período de gravidez é propício a ouvirmos histórias tenebrosas e verdadeiramente assustadoras. Todos os dias nos encontramos com alguma Mamã que passou pelo mais improvável episódio e que se esforça por contar à Mulher grávida descrevendo-o com todos os detalhes de horror. Comigo não foi diferente. Eu tremia. Por isto, todos os dias, entre as muitas conversas que tinha contigo te pedia “Filho, nasce perfeitinho, saudável e sem causar muito sofrimento à Mamã”. E tu, meu amor, portaste-te tão, mas tão bem!

Na véspera do teu nascimento fui com o Papá fazer uma ecografia (36s + 6d). Estávamos um pouco preocupados pois estavas a cair de percentil e nenhum motivo era encontrado para o justificar. O Doutor viu-te com muita atenção e, para susto da Mamã decidiu fazer o “famoso” toque. Ainda meio surpreendida, deitada na marquesa com o Papá ao lado, oiço as seguintes palavras (e que nunca esquecerei): “Como previa, o seu filho terá que nascer mais cedo e será de cesariana. Já comeu alguma coisa hoje?” Eu nem conseguia pensar, tinha chegado o momento. Estava tão nervosa, ansiosa mas, ao mesmo tempo, aliviada por ter ouvido o termo “cesariana”! Como tinha comido antes da consulta, o Doutor marcou a cesariana para o dia seguinte (6ª feira – 37 semanas). Depois disto, comigo ainda muito atordoada, ainda fomos ao trabalho do papá e a uma junta médica para a qual eu tinha sido convocada (insólito com este avançado tempo de gravidez). No regresso a casa telefonei aos familiares e amigos mais próximos a dar a notícia, seria “Amanhã” e eu nem acreditava.

Nessa noite arrumei (ou voltei pela enésima vez a arrumar!) as tuas roupinhas, preparei o teu berço e tomei um relaxante banho de imersão. Sentia um misto de sensações por ir finalmente conhecer-te.

Bem cedo rumámos ao hospital (fiz questão de sair cedo para não apanharmos trânsito!). Para agravar o estado de ansiedade, os quartos estavam cheios e tivemos que esperar bastante pelo Check-In, nessa altura, enquanto o papá ia lendo revistas e jornais, lembro-me de lhe dizer “E se não temos quarto e não me fazem a cesariana hoje?!?!”. O papá tentava tranquilizar-me e dizia sempre que tudo correria bem. Finalmente subimos e fizeram-me a preparação da praxe. Durante este período o quarto parecia estar em festa, estava eu e o papá e ainda a Avó Guida, a tia Gina, o Avô António e Avó Fina, o Avô Carlos (sob efeito de um calmante) e a Avó Duarte. Tirámos fotografias e todos se esforçavam por me distrair.

Chegou a hora de me levarem para o bloco e a última pessoa para quem olhei foi para o papá que, nessa altura, por mais que se esforçasse não conseguiu disfarçar o nervosismo e preocupação. Passaram-me para a mesa de operações e foram-se embora. Aqueles minutos pareceram uma eternidade. Encolhi-me (estava muito frio) e agarrei-me a ti na minha barriga pensando continuamente “Inês, tem calma, vais conhecer o teu filho, não desmaies agora, aguenta-te!”. Finalmente chegou a Equipa, o anestesista (que foi adorável durante toda a cirurgia) administrou-me a epidural, ligaram a música (Vivaldi) e foram em busca de ti! A sensação é muito estranha, dizer que se sente tudo mas não dói está realmente correcto. O que me valeu foi estar envolvida na ansiedade de te ver e isso prevaleceu sobre os sons dos bisturis.

Muito rapidamente, após o inicio da cirurgia, o Doutor perguntou “Mãe, o seu filho vai nascer, quer ver ?” – Mais uma vez me surpreenderam ! “Mas já ??? É tão rápido??! Se quero ver ??? Não me avisaram que iria ver !!!” – pensei eu. Nesse momento não hesitei “Sim Doutor, quero ver sim” (desprezando as dezenas de vezes que já tivera desmaiado ao ver sangue!!). Vi uma imagem que ficará para sempre gravada na minha memória, tu, meu filho, muito dobradinho a seres extraído de dentro de mim. Aquele momento foi de êxtase, devo dizer que não me recordo de ver sangue algum, ouvir o que quer que fosse, só olhava incrédula para ti . Choraste, colocaram-te em cima da minha cara para te dar um beijinho e imediatamente paraste de chorar. Foi extraordinário! Eras “pequenino mas muito rijo!” conforme referiu com muito boa disposição o pediatra presente. O Doutor deu-me um beijinho na testa e disse “Parabéns Mãe, portou-se muito bem.”.

Com 2,375Kg e 46cm, às 15h14 do dia 26 de Outubro de 2007, nasceste Miguel Maria. O que antes me parecia ser impossível, tornou-se realidade, fui Mãe. A Tua Mãe.

Porque me apetece.

Sim, porque as Mães também têm querer. Apetece-me criar um blog, ou melhor, apetece-me escrever sobre esta multidisciplinar tarefa que é a maternidade.

Quero guardar as palavras, os momentos, as imagens e tudo mais e poder ler amanhã tudo o que hoje me faz rir, comover e brincar! É por isto que me apetece criar um blog. E, verdade seja dita, porque o teclado, hoje em dia, está mais "na mão" do que a caneta.

E, meu filho, se te apetecer um dia saber como foi, ter-me-ás também aqui a contar-te tudo.

Está feito!