sexta-feira, 31 de julho de 2009

Miss, it’s your turn…


Ando a ser pressionada. Ando. Ando a esbarrar-me com reivindicações. Ando a tropeçar em reclamações. Chamam a Inês, em vez da Mãe Inês. Parece que oiço vozinhas estridentes sempre na cabeça : “Quando é que deslargas o miúdo, pá ?”. Que aqui fique claro que até já entendo um bocadinho, um bocadinho que seja, vá. Que até assumo que a minha carne manda mais que a minha cabeça. Mas compreendo. Compreendo tanto que até me vou esforçar. Confesso que terão que estar vários indicadores controlados, mas sim, vou tentar e, durante uns momentos (ainda não estou preparada para especificar a duração!), deixo a Mãe de folga. Atenção que eu também sinto falta de muita coisa, nomeadamente noites bem jantadas, madrugadas bem dançadas e manhãs bem dormidas! Mas, que me castiguem, que me condenem, mas vou dizer a verdade: não trocaria um minuto desta vida por uma hora da outra. Mas pronto, vou tentar reservar uns períodos com a Inês, e coisas e pessoas que dizem respeito só a esta. Já percebi que a bola está do meu lado.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Apta com Reservas


De volta.
Isto de se cortar uma córnea não dá jeito nenhum! Pois que não podia ver (o que costuma dar jeito, digamos assim), pois que não podia comer sem entornar nada e, pior, muito pior, pois que praticamente não podia tomar conta do MM. O L. teve que ser pai, mãe e enfermeira (das jeitosas, é um facto).
Mães doentes é do pior. O cenário foi horripilante: No momento em que o MM me viu com a vista tapada desatou aos gritos (qual mãe Camoniana que devolveram ao pequeno, aquela não, aquela ele não queria!). Aproximar-se de mim e dar-me um beijo, está quieto. E, já para não alimentar grandes intimidades com esta senhora que subitamente apareceu lá em casa num estado miserável, declarou a utilização permanente do “Inê” (a saga do terror Poltergeist da minha vida retornou!).
O que vale, é que a capacidade regenerativa da espécie Mãe é do melhor. Cá estou, apta com reservas ao serviço, mas em cumprimento do dever. Voltei a exercer o meu trabalho de mãe (e o outro também) e já conquistei o título. A “Mámãaa” está de volta!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Blog lesionado

Caros leitores.


Lamento o atraso na publicação dos comentários, assim como a ausência de notícias mas, “cortei um olho”, literalmente, cortei a córnea. Não lembra a ninguém, não é? Logo que possa retribuo os comentários e retomo a actividade.

Estou bastante limitada. Depois continuamos a conversa, ok ? Isto já foi uma aventura!

Beijinhos

Ps - Se quiserem saber de mim liguem para a S24 ! :-)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Percentis – Taras e Manias


Não fossem já suficientes todas as medidas com que temos que conviver – sejam elas os quilos da elegância, os centímetros das coxas, os metros na passadeira ou os minutos record para nos metermos giras de manhã – ainda foram inventar os Percentis de crescimento.
A ditadura começa na gravidez : se percentil baixo, “hum… alguma coisa grave se passa”, se percentil alto, “hum… prevê-se um parto difícil”; Nasce o bebé e todas as recém mamãs, depois de perguntarem o nome da criança, disparam logo com o percentil. Seguem-se as visitas ao Pediatra e o registo na caderneta não falha. Eu entendo que existam, afinal vivemos de comparações e referências, mas lá que é mais uma dor de cabeça, lá isso é!
O MM nasceu no P7 (ah pois é!), desde então que se tem mantido no P25 mas, lá está, verdade seja dita é um rapaz todo bem feitinho, charmosinho e gostosinho (qual mãe a escrever!), quem não conhece a métrica dos P’s, não diria que está abaixo da média. Mas, qual não é o meu espanto quando, na última consulta, o Doutor Pediatra me diz “Mãe, o nosso menino está imenso! Não tarda, obeso mesmo!”“Oi ?? What ?? Como diz??” – pensei eu! "Chegámos ao P30, Mãe!" – diz-me o Doutor Pediatra com ar de gozo. Lá está, não quero ligar, digo que não ligo, ou melhor, digo que não quero ligar, mas ninguém quer o seu mais que tudo abaixo da média, certo ? Pois bem, comemoremos o P30! Viva! Zombe com esta mãe, zombe Doutor Pediatra, mas “Só eu sei! Porque não me deito antes das 23h! … Porque não deixo para amanhã, o biberão - com 220ml de leite + 1 banana + 2 bolachas Maria, - que possa dar hoje!”. Metem-nos medidas na cabeça e depois fazem pagode das mães. Irra para o raio das medidas que não nos largam!
Mas vá Doutor Pediatra, que é um querido e gosto bem de si, vamos lá ver se na próxima consulta me diz que o MM está no P50, hein ? Boa ?... Ok, no P40.
Vá lá, no P45 e fechamos negócio.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Socorro! Geração chinelo.


Iniciou a época de férias escolares e é vê-los em grupo, aos montes, em bandos. Enchem tudo o que é Centro Comercial. Fazem barulho e dão nas vistas. Provocam e fazem questão de chocar. São eles, os nossos adolescentes.
Não é este meu texto uma provocação, antes pelo contrário, é sim um manifesto de preocupação. Preocupação com os irmãos que tenho e com o filho que crio. Preocupação com a avassaladora perda de inocência, falta de educação, com o sumiço da garotice. É isso o que me mais me perturba, o que andamos a deixar para trás. Isto porque inocência, educação e garotice não estão na moda. Na moda está trocar os “Q’s” pelos “K’s”, trocar os sapatos por chinelos, usar calças nos joelhos, exibir os electrizantes sutiãs que propositadamente descombinam com tudo o resto. Elas a saldos com os seus atributos a ver qual facilita mais e eles em disputa pelo mais metro (metrosexual). Ou seja, elas dão cada vez mais, eles tiram-lhes tudo a mais. Não digo que seja uma geração rasca, pois vejo bem que têm muita coisa boa, são hábeis em novas tecnologias, são fluentes noutras línguas (por força dos jogos computorizados), são dinâmicos e não gostam de estar parados mas estão-se a esquecer de serem Criança. Faz-me confusão, confesso que faz. Respeito as diferenças, cada um é como cada qual. Posso não gostar mas tento remeter-me ao respeito pela liberdade de expressão, porém, parece-me que não se trata de um cenário de convivência entre diferentes, mas sim, de uma rasteira na cadeia natural do ciclo de Vida. Onde anda o período em que eles metem Clerasil para as borbulhas, elas ficam envergonhadas com os elogios e se espera ansiosamente pelos 18 para se ser adulto? Estamos a passar de crianças a adultos sem paragem na adolescência, é isso ou estará a escapar-me algo?... Espero poder dizer daqui a uns anos que tenho em casa um adolescente com crises existenciais sem saber o que vestir ou com vergonha dos beijos que a mãe lhe dá em frente aos amigos, e não uma criança com pressa de se fazer adulto, a provocar, exibir e chocar por esses Centros Comerciais fora. Espero.

Por enquanto, quem o calça lá em casa, sou eu…

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Óh Bô!


Desta vez fui filha do Pai!
Ou melhor, foi o meu Pai que me veio mimar durante um Sábado inteirinho! Aliás, Pai, Mana M. e Ma(Boa)drasta! Foi um Sábado de Mimos, Cozido à Portuguesa, Mimos, King e Sueca, mais Mimos, amendoins e Minis para os senhores (requinte à portuguesa seguido à risca!), Mimos, Snooker, Mimos e… foi bom mas acabou depressa.
Todas estas actividades ao som de um, já bem masculinamente entoado, “Óh Bô, óh Bô” do MM. Este “Bô” do MM é, para já, um termo unisexo e serve para chamar Avó e Avô o que, é sempre curioso de ver, deixa ambos os Avós na expectativa e, até mesmo, no despique das requisições do pequeno. É encantador ver como os Avós, subitamente, rejuvenescem: chegam na casa dos 50, durante o almoço atingem a maioridade e, ao final do dia, já roçam pouco mais dos 10. Deitam-se no chão, montam-se no triciclo, correm atrás da bola, fazem manobras com as bochechas, cansam-se mas têm sempre capacidade de dar mais. Ser Avó/Avô parece-me ser isto, já deram aos filhos, o tempo passou e têm sempre mais, cada vez mais, para darem aos netos que chegam. E dão com a graciosidade de quem é pequeno também. Parece que o tempo, para os Avós, vai sempre para o fim da fila!

Que Sábado bem passado Bô C. e Bô D.!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

S A L D O S

E, se de repente, em pleno Centro Comercial, me der uma febre? Ou melhor, um verdadeiro febrão?! Isso é a gripe? Não, isso são os SALDOS!
Estão por todo o lado, há para todos os gostos, da écharpe haute couture à pirosa meia branca da raquete.; do XXS não caibo nisso ao XXL também não exagerem! Propagam-se a uma velocidade estonteante e o único antivírico é mesmo o isolamento em casa mas isolamento literal! Sem telefones ou internet pois também os há a espevitarem-nos a gula consumista por aqui. A verdade é que nos esmagam mesmo, a nós mulheres e, mais grave ainda, a nós mães pois conseguimos encontrar sempre alguma moral para o crime, ora vejamos:
- Reduções até 30% : “É bom, é bom, está no início é melhor aproveitar já enquanto ainda há tamanhos e cores interessantes, não me vou deixar ficar pelos restos. Levo já!”
- Saldos a 50% : “É agora! Vou já comprar roupa para o MM para a estação seguinte. A metade do preço?! Há que aproveitar! Mas será que precisa? Bem, talvez não… Mas 50% é uma poupança brutal. E afinal estamos em crise. E poupar agora é preciso. Se comprar agora estou a poupar, logo… É comprar, é comprar!"
- PAGA 1 LEVA 2 : “Tudo de bom que o anterior representa mas a dobrar! Se calhar até já pensava na estação Primavera/Verão de 2014 e o MM ficava já despachadinho de roupa… É comprar, é comprar!”

Enfim, pior que uma dieta, só mesmo resistir abstinente a uma época de Saldos. E afinal, como tanto se diz, não é doença, é terapia! Venha ela!

Filho, ainda bem que nasceste homem, vais pensar 1035 vezes antes de comprar qualquer coisa e fazer um ficheirinho em Excel com todas as probabilidades de poupança e benchmarks possíveis….

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Pés de Areia

Tenho lá em casa uns pés de areia,
Que de manhã saltam, correm, trepam
Sem querer sapato, bota ou meia
Ficam assim só, uns pés de areia.

Lindos, lindos que só eu sei!

Estes pés andam às vezes à boleia
Encaixadinhos, bem em cima dos meus
Capazes de passar uma tarde cheia
Dançando com os meus nos seus

Lindos, lindos que só eu sei!

E quando ao fundo chega a noitinha,
Estes pés também se cansam.
Aninham-se nas mãos da mãezinha
E escondidos, lá descansam.

Lindos, lindos que só eu sei!

Estes são uns pés de areia,
Que me levam pelo mundo,
Este mundo novo e pequenino,
Que me mostra o meu menino!

Lindos, lindos que só eu sei!

São uns pés que eu desejo,
Neles nunca ferida encontrar
Ai daquele que os magoe
Ai daquele que o ousar!

Para sempre minhas mãos abertas
Para destes pés cuidar
Pés lindos de areia
Que eu p’ra sempre irei amar!

Lindos, lindos que só eu sei!

terça-feira, 14 de julho de 2009

O "Diz-que-disse"

Meu filho, já te falei sobre o “Diz-que-disse” ? Um fenómeno extraordinário do país dos adultos que se dedica à comunicação? Pois bem, vamos ver se te consigo explicar.

Já sabes da última? ...

Eu sei, porque ela me disse que, no Edíficio do Porto, lhe contaram, que alguém, do 2º da ala Sul de Lisboa, se teria apercebido que eles, do Embasamento 2, teriam dito que ouviram, por alguém do 5º da ala Norte, que ele teria sido visto a falar com …

Ok, já ficas a saber.

Quem diz que os locutores do “Diz-que-disse” são meros amadores, anda completamente enganado. São eles, muy interessadas Senhoras e atentos Senhores que desenvolvem inatas e preciosas capacidades de comunicação, às quais, após cursos de formação, simulações e trabalhos de campo, acrescentam técnicas profissionais.

Do perfil destes Mestres (mas também os há Bacharéis e Doutores), fazem parte capacidades extraordinárias como: visão dotada de infra-vermelhos; audição semelhante à das baleias (mas das brancas); bagagem gramatical invejável (incluindo arcaísmos, estrangeirismos e todas as figuras de estilo), pois não gostam de plagiar ninguém e, finalmente, raríssimas substâncias naturais que fertilizam (sem avolumar) a mente. Muito utilizados também, são os sinais de fumo, linguagem que normalmente “melhora o tempo no canal”.

A técnica é sempre adequada à área de trabalho. Esta é uma actividade sem fins governamentais, logo, não financiada, portanto, é necessário conjugá-la com outra, que sustente estes Artistas, tantas vezes não compreendidos, mesmo que esta (emprego oficial) não se encaixe tão bem nos seus perfis.

No nosso meio (o meio por excelência da comunicação), as técnicas utilizadas são das mais requisitadas no mercado:

· Primeiro, identifica-se um assunto. Subtilmente aproximam-se do alvo (ou de alguém próximo, mas que detenha os dados necessários) e questionam para depois reformularem, mas já com alguns tendencionalismos;
· Mas, para uma boa condução do relato, são bastante cordiais, cordialidade que é directamente proporcional à sua antiguidade na actividade, pois a cordialidade é um meio eficaz que poucos sabem correctamente utilizar, e muitos confundem com a simples “saudação e o fecho”;
· Pecam pelos vazios, mas o que é justificado pela grande disponibilidade e necessidade de concentração no discurso e automática tradução para os assíduos ouvintes;
· São muito produtivos pois acabam por controlar muito bem a emissão, no entanto, raramente tipificam.

A avaliação dos locutores é habitualmente positiva, pois quando a emissão do “Diz-que-disse” não corre tão bem, por serem parcos os programas, a culpa poderá sempre ser da Alcatifa (que afinal, também se gasta).

Afinal, esta é uma boa estação. Com um segmento de profissionais altamente cobiçados, com programas informativos/técnicos, lúdicos/lazer e, até de astrologia e adivinhação do futuro!

Vamos continuar sintonizados neste canal, mas apenas o elementar “Quanto Baste”.….

Chiiiiu….isto que partilhei contigo não é para contares a ninguém… Espero ter-te dado uma novidade mas se não o foi, dá-me o benefício da tolerância por não praticar com a regularidade necessária o “Diz-que-disse”. Reforço, o que disse não é para dizeres a ninguém pois, sempre orientados para a informação, atentos e antecipados, “Eles” andam aí…

Percebeste querido ? Isto é o "Diz-que-disse"!...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Belém, a Trote!


A trote, no Flammy, lá fomos nós até ao país de Belém!
A trote, a galope, a trote, a galope.



Na Praça do Império, onde dizem antes ter sido a praia do Restelo, apanhámos o coche do Flammy e mergulhámos no passeio. Possante, mas obediente e terno, era o belo cavalo de 8 anos que gentilmente nos passeou pelos Jardins de Belém e nos levou à descoberta.

Passámos pelos Jerónimos, esse marco que nos fez grandes quando por aí andámos em Descobertas; Passámos pelo Planetário Calouste Gulbenkian onde o dia se faz noite e as luzes viram estrelas; Passámos ainda pelo Centro Cultural de Belém que nos lembrou que, afinal já não andamos pelo Mundo, mas agora anda o Mundo por cá! Confortáveis no nosso Coche, acompanhados por uma sombra tão bem-vinda, passámos ainda pelo Museu Nacional dos Coches e Museu da Presidência da República onde muito elegantemente a guarda de honra do Palácio bate continência, à vista dos, mais que muitos, turistas que os fotografam.

Para finalizar só nos faltava saborear um pastel mas senão que…. Seria chuva? Seria gente? Que era uma enchente, lá isso era certamente! Afinal não há pastéis como em Belém, porém, esta paragem optámos por deixar por um outro dia.

A trote, agora na Chrysler, viemos nós, lá do país de Belém!
A trote, a galope, a trote, a galope.

Assim foi o passeio. Tão agradável, tão perto de casa, com um cheirinho a cultura e por uns poucos euros. Recomendável.

PS – É claro que o MM não queria trocar o Flammy pela Chrysler mas lá teve que ser com a promessa de, um dia em breve, lá voltarmos.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Do fundo da minha barriga para a tua.

Hoje tive a companhia da minha mãe e do Mano MM (sim, é outro MM!) para jantar e soube tão bem!

A experiência de ser mãe é avassaladora! Extraordinariamente boa, extraordinariamente gratificante mas também extraordinariamente desgastante e, nada melhor para retemperar a minha condição de mãe, do que um intervalo bem gozado e passado como filha!

Sim, porque as mães também são filhas e portanto também têm direito a mimos, a birras e jantarinhos à medida da nossa preferência;
Porque as mães também são filhas, sabe tão bem receber aquelas prendinhas especialmente pensadas para nós e que, agora como mães, sabemos que foram compradas com tanto carinho;
Porque as mães também são filhas, é tão bom ver que alguém também nos quer poupar dos males e oferecer todos os bens do mundo.

Sabe bem sermos, de vez em quando, o centro da atenção, da preocupação e da dedicação.

A verdade é esta, é tão melhor ser Mãe quando tão bem nos sabe sermos filhas.

Do fundo da minha barriga para a tua,
Obrigada Mãe.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Inê.... A saga continua.

Faz 72h que o meu rico filho insiste em expressar, alto e a bom som : “Óh Inêeeeee, óh Inêeeeee, óh Inêeeeeee…..” (já aprimorou o termo, de Inhê para Inê, não tarda muito e acerta no alvo). Eu olho para ele com alguma seriedade e ele responde-me com um sorriso desavergonhado.

Palavras para quê? A imagem fala (ou escreve) por mim.

Para enquadramento a quem for apanhado desprevenido, ler Post.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A angústia do espirro


Não me dá prazer nenhum escrever sobre isto. Não é um tema sobre o qual tenha rabiscos algures esquecidos. Mas é um assunto que me começa a preocupar e não será por não escrever sobre ele que a sua presença sumirá.

Ligo a televisão, acedo a um site informativo, oiço as notícias no rádio e todos, com maior ou menor sensacionalismo, nos batem de frente com: H1N1, 48 casos em Portugal (à data que escrevo este post), cerca de 370 mortes, previsão de propagação na ordem dos 100.000 casos por dia, 3 casos de resistência ao fármaco existente, confirmação de contágio directo em Portugal, planos de contingência em análise e o anúncio de que “o pior está para vir…”.

É inevitável: “E o meu filho? Se este desventurado vírus o apanha? Ou se apanho eu ou o L. e não pudermos tratar dele?” Rapidamente repito para mim mesma (já com um calafrio pela espinha) “Não, não, não vou pensar nisso!”

É nestas alturas que nos sentimos pequeninos e impotentes. Nenhuma mãe no mundo deveria receber um diagnóstico positivo para os seus filhos. Que a tecnologia nos poupe e que os milhões gastos desavergonhadamente passem a ser investidos na integridade da raça humana – as vacinas salvam, a bola gira, gira, gira e depois vãos todos para casa discutir (que me perdoem os adictos “da bola” mas, para mim, falamos de grandezas morais bem distintas com investimentos financeiros invertidos…).

Será já paranóia? Será o poder perverso dos media? Sejam ou não, lá que estou receosa, estou…

Bem, acho que vou ver uma telenovela. Sim, preciso de mudar rapidamente para um assunto ligeiro, piroso e brejeiro. Valham-nos para isso!

domingo, 5 de julho de 2009

Inhê! Boa?! Não me parece...

Hoje, no meio do shopping, o MM começa a chamar-me… Mas por “Inhê” (=Inês)!
“Inhê, Inhê, Inhê!!!”
“Ai que engraçado, que ternura, a dizer Inês” – comentaram comigo.
“Boa filho! Mais uma palavrinha para o teu já largo vocabulário. Boa!” – Pensei eu.
“Espera! – pensei eu logo de seguida – Mas agora vais tratar-me por Inhê ao invés de Mamã ? É isso ?”
Hummm…..
Não sei se gosto.
Hummm, deixa-me cá pensar….
Não, não me parece. Uma ou outra vez, acho piada mas agora que me tires o título isso é que não. Inês sou eu para todos aqueles que não carreguei na barriguinha durante 9 meses; não foi por eles que me costuraram o uterozinho e nem por eles que penei os efeitozinhos (“inhos” salvo seja!) da epidural… Ah, e mais ainda, não foi por eles que fiquei aqui com umas (poucas) esteriazinhas e, last but not the least, horinhas (muitas) sem dormir!
Meu rico filho,
Inhê, boa! É giro, estás a desenvolver. Reconheces-me como a mulher que existe para além da tua mãe. No entanto, chamo a mim todos os direitos, doçuras e travessuras do piegas, lamechas mas tão doce “Mamã”.

Amor, pedido reprovado por :

A “Inhê” (para quem lê),
A Mamã (para ti).

sábado, 4 de julho de 2009

E quando um filho pensa que é “aviador de triciclos” ?

Quando um filho se monta no triciclo e acredita que vai voar,
Procura tudo quanto se assemelha a degrau, declive ou rampa
Ganha balanço e voa por esses terraços fora…
E cai.
Cai de costas e bate com a cabeça no chão.
E aleija-se.
Muito.
E a mãe?
Sofre.
Sofre muito.
A mãe larga tudo e lança-se em busca do seu pequeno aviador terrestre.
Procura as mazelas, limpa e trata delas.
Explica que voar assim é perigoso.
E o pequeno aviador?
Limpa as lágrimas na mão da mãe,
Levanta-se, procura o triciclo e vai voar novamente.
E a mãe?
A mãe sofre.
Sofre e espera que não passem anúncios Red Bull tão cedo!


P.S. O MM ficou bem mas apanhei um valente susto com a cabeçada que deu no chão.

Mãe sofre mesmo! Irra!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Será assim tão absurdo ?


Que uma mãe não se queira separar de um filho?

“Mas porquê que não o deixas cá uns dias?”
“Então e se o levássemos connosco?”
“Ele podia passar lá uns tempos.”
“E que tal se o deixassem cá a dormir?...”

Com todo o respeito e educação (que prometi no Post em baixo) : Não.

E não porquê?

Não porque não quero,
não me apetece,
não concordo,
não acho bem,
Não, porque não!

Não estarás a ser irracional?

Pois, vá lá, talvez sim ou talvez não
Agora o que sei é que sou Mãe
E o querer estar com o meu filho
Vem antes de qualquer razão!

Tenho dito.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Eu quero ser sempre bem-educada!

Este tópico aparentemente não estará relacionado com a maternidade, mas acreditem que está e muito.

É bem verdade que ainda me rejo por bons hábitos e costumes da velha guarda e não tenho pudor algum em assumi-lo e, é com pena que assisto à extinção da espécie de muitos destes bons costumes, nomeadamente o da boa educação.

Também sou um animal de hábitos e todos os dias, praticamente à mesma hora, passo num lanço de Portagem e repito os mesmos gestos, as mesmas palavras com as mesmas pessoas.

Ontem o circuito habitual foi interrompido por um “Olá! Como está ?... Mais um dia de trabalho que chegou ao fim, não é verdade?” – vislumbro um sorriso aberto nos lábios enquanto operacionaliza a tarefa habitual do pagamento – “Aqui está o seu cartão. Faça uma boa viagem até casa e aproveite bem o resto do dia.”

(SILÊNCIO… Simultâneo com um ar boquiaberto meu…). …

“Muito obrigada! Continuação de um bom trabalho para si. Até amanhã” – Respondi eu ainda algo desconfiada com tal simpatia…

Espera, pensei eu, é pura boa educação! Única e exclusivamente boa educação, porquê o espanto ?...

Conclusão 1 – A boa educação “pura e dura” causa estranheza (e confunde-se pelo comum dos mortais com cinismo, interesse ou “mariquice”), o que significa que estamos a perder o hábito de sermos Cidadãos bem-educados;

Conclusão 2 – Retomando a introdução, eu quero que o meu filho seja bem-educado, e mais, eu quero muito que sejam sempre bem-educados com o meu filho e apercebo-me que existem muitos obstáculos. Assim, ainda que por vezes me façam sentir algo demodé em defender valores clássicos, perante a infinita plateia cibernauta eu me comprometo, para o bem e para o mal, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, em tentar ser sempre uma Mãe muito Bem-Educada!

Com amizade me despeço desejando-vos um bom regresso a casa e que aproveitem bem o resto do dia.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Julião, o Leão comilão

As Lenga-lengas sempre me pareceram uma forma bem divertida de explicar conceitos complicados às crianças. Por isto e porque realmente me divirto com elas, às vezes escrevo algumas para me ir preparando para a famosa fase dos “Porquês” do meu Príncipe.

A Lenga-lenga que escrevi sobre o Julião, o Leão comilão, ensina como os amigos são importantes e nos podem ajudar a concretizar sonhos!



Era uma vez,
Julião, o Leão comilão.

Julião vivia numa grande selva,
cheia de árvores, flores e relva.
Mas estava sempre dentro da toca,
só saia à procura de paparoca.

O Leão Julião tinha um sonho,
que queria realizar para ficar mais risonho.
Queria que viesse um dia de Verão,
para passear lá em cima, num balão.

O grande problema deste leão
era ser muito, muito comilão
O Julião comia, comia, comia
E a barriga crescia, crescia, crescia...

Assim tão gordo e matulão,
Julião não ía caber no balão
E então passava os dias tristonho,
a chorar pelo seu sonho.

Num lindo dia de Sol
bateu à sua porta um caracol
"Olá! Eu sou o amigo da minhoca,
e vim cá dar-te uma beijoca".

Foi uma surpresa para o Julião
que nesse dia estava muito chorão.
"Caracol, o que é tu queres ?
Vai lá brincar com os malmequeres!"

"Vou ajudar-te a seres um Campeão!
Acabar com o teu barrigão medonho
Dar alegria ao teu coração
E assim realizar o teu sonho!

Vais levar-me no balão ?
Perguntou, curioso, o Julião!
Sim, Leão!
Vou tirar-te o barrigão e mandar-te p'ró balão!

E assim se passaram os dias
Com muito esforço e coragem
Sempre ao som de melodias
Julião mudava de imagem

O caracol tocava violão
para fazer correr e cansar o Leão
E ainda lhe trocou o chocolate
por salada de tomate!

Um dia lá chegou o Verão!
E Julião, agora elegante,
lá viajou no balão!
foi-se embora, Julião, agora O Viajante!